Aula prática de título. Isso mesmo: como ensinar, na prática, a redação...

Aula prática de título. Isso mesmo: como ensinar, na prática, a redação do título de um artigo científico?

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Estávamos numa sala de aula cheia de pesquisadores, discutindo quatro títulos de seus trabalhos, editando na hora, inserindo em tela as sugestões de todos. Esse tipo de experiência de trazer a prática para a didática permite que coisas interessantes aconteçam — tanto para professor quanto para o aluno.

A proposta era que cada pesquisador trouxesse o seu projeto de pesquisa com um título provisório, que digitamos num slide projetado. Depois de explicar alguns princípios básicos sobre as exigências das revistas científicas quanto aos títulos (teoria: menos de cinco minutos), passamos a aprimorar o que estava ali digitado, usando as diretrizes que foram discutidas antes e também as sugestões e críticas dos demais.

Na plateia, doutores, mestres, bacharéis e alguns alunos de graduação fazendo trabalhos de iniciação científica. Desconstruímos alguns preconceitos e vícios dos mais experientes, aprendemos alguns termos novos das áreas de estudo, e resolvemos alguns desafios sobre como falar mais em menos palavras.

Até que… deparamos com um problema difícil de resolver. Ninguém na sala sabia como expressar a existência de três grupos de estudo num dos títulos, sem alongá-lo demais. Propusemos então algo que, vez por outra, se mostra útil na edição de textos — embora muitos clientes se mostrem céticos: a espera com distanciamento.

Ficar longe de um texto (ou de um título) por algum tempo cria um distanciamento que nos permite ser críticos. Possibilita, também, maior contato com outros textos, outras inspirações, que despertam naturalmente novas soluções para um problema que parecia insolúvel. Falaremos sobre isto em outro post.

Propusemos, naquela aula, cuidar de outros aspectos daquele título por alguns momentos — o desenho do estudo, o nome da técnica utilizada, outros detalhes — e fomos resolvendo essas coisas, lapidando o texto por alguns minutos, quando, do fundo da sala, veio a solução: bastava simplesmente substituir uma palavra “e” por “ou”, sugeriu um colega. A mágica veio de um aluno de iniciação científica, talvez o menos experiente do grupo — e com certeza o que estava mais distanciado do problema!

Assim finalizamos a dinâmica do dia: alguns satisfeitos porque conseguiram editar, eles mesmos, os títulos de seus trabalhos de pesquisa; a direção porque sentiu que a equipe saiu um pouco mais habilitada a escrever bem, mesmo os que estavam trabalhando com títulos dos trabalhos dos outros; nós porque sempre podemos orientar melhor e prestar melhores serviços de edição quando entendemos bem as dificuldades dos clientes.

Patricia Logullo
Patricia Logullo é editora de textos e publicações. Trabalha na área de não ficção, especialmente com relatórios científicos, sobre projetos sociais e registros históricos.

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