Sobre edição de textos científicos
Dicas e discussões sobre a edição de textos da área científica

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As revistas científicas internacionais da área biomédica, principalmente as que aderem ao COPE (Committee on Publication Ethics), estão cada vez mais solicitando dos autores que obtenham de pacientes a autorização deles para publicação de seus relatos de caso. Ou seja, agora não basta mais “ter o caso”, “ter cuidado do paciente” para escrever e publicar o relato: é preciso que se peça ao paciente seu consentimento para a descrição de sua história clínica, mesmo que o artigo seja feito de forma que sua identidade seja oculta. Isso porque, mesmo quando o nome do paciente é escondido, detalhes de sua condição clínica podem fazer com que ele seja reconhecido publicamente. Esse é o entendimento do COPE.

O consentimento para publicação do relato de caso não é o mesmo que o consentimento que o paciente assina para se submeter a procedimentos médicos (uma cirurgia, por exemplo). São documentos diferentes, com teor diferente. O fato de o paciente ter consentido para a realização de um procedimento não significa que consinta para a publicação.

Em caso de pacientes falecidos, o nome do doente e do familiar que assina a declaração de consentimento para publicação do caso têm de estar claros no documento. O documento deve trazer também o nome do profissional que explicou ao paciente ou familiar sobre o relato de caso (geralmente é o responsável pelo relato de caso, mas nem sempre).

O documento deve declarar que o paciente ou familiar viu a versão do relato de caso a ser publicada e, mesmo assim, concordou com isso. O documento também deve deixar claro que a confidencialidade não pode ser inteiramente garantida, mesmo quando a identidade do paciente é mantida sob sigilo — assinar o documento não anula o direito à privacidade. O paciente tem direito a ser informado onde e sob que condições o relato será publicado (sob que tipo de licença), e de saber que nenhuma vantagem financeira será obtida com a publicação. Deve ficar claro que, após a publicação, o consentimento para publicação não poderá ser retirado ou cancelado.

O COPE faz essas e outras recomendações e ainda fornece os links de alguns formulários, utilizados por revistas de qualidade, que podem ser traduzidos e utilizados por autores de relatos de caso no Brasil.

Veja aqui a discussão sobre o assunto e os modelos.

 

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Nossos clientes têm nos procurado, com frequência cada vez maior, portando convites de revistas para publicação de artigos. Recebem e-mails com “convites para submeter um artigo para uma revista importante”… Ao relermos juntos essas mensagens, fica patente que se trata de uma prática predatória, na verdade quase um golpe. Geralmente, não são as “revistas importantes” que fazem esses convites, mas justamente as revistas de menor qualidade, que dependem de volume de publicações para sobreviver financeiramente. E publicar nelas pode ser uma decisão equivocada. E cara: com taxas de mais de 2 mil dólares por artigo.

O movimento “open access” nasceu de um princípio muito interessante: o direito de se ter acesso, gratuitamente, aos resultados da pesquisa publicada no mundo todo. O princípio por trás do movimento é bonito e realmente muitas boas, importantes e qualificadas revistas foram criadas nesse contexto, como a PLOS, por exemplo. Existem mais de 9 mil bons exemplos de revistas open access qualificadas listadas no Diretório de Revistas Open Access https://doaj.org/. Estas boas revistas têm sistemas de avaliação por pares bem definidos e organizados e não publicam qualquer coisa. Por isso, seus artigos são bem citados e elas conseguem bons fatores de impacto.

No entanto, como essa modalidade de publicação é financiada pelo autor do artigo, o “open access” transformou-se num filão comercial altamente lucrativo. E aí começaram a surgir revistas publicadas por instituições que não são exatamente “sem fins lucrativos” ou comprometidas com a ética e com a qualidade na publicação científica. Essas editoras têm finalidade lucrativa e não têm pudor algum em publicar artigos que passaram (se é que passaram) por processos de revisão por pares de qualidade muito duvidosa e com falta de padronização e transparência. Elas ganham no volume e enganam muitos pesquisadores, tanto os jovens como os mais experientes, prometendo publicação rápida. Quando publicam. São as chamadas revistas open access predatórias, por realizarem uma “concorrência desleal” com as revistas sérias e de qualidade.

Essas revistas, que já são chamadas de “open access predatórias” com muita frequência não têm nenhum tipo de indexação em bases de dados eletrônicas. Portanto, exceto se tiver acesso aos websites das próprias revistas, o leitor não consegue ter acesso aos textos ou mesmo saber que os artigos existem. Elas frequentemente não são rastreáveis. E não estão indexadas justamente porque as bases de dados indexadoras têm critérios mínimos de qualidade, uniformidade e constância de publicação para considerarem a inclusão de novos periódicos. Revistas que não são capazes de manter sua periodicidade nem têm transparência em seu sistema de revisão por pares não são indexadas, simplesmente.

Para quem tem carreira acadêmica e precisa provar um certo número de publicações em periódicos indexados todo ano, essas revistas open access predatórias são uma perda de tempo — ao contrário das revistas open access sérias e publicadas por boas editoras, que têm indexação e excelente visibilidade. Existem, inclusive, muitas denúncias de infrações éticas cometidas pelas revistas “predatórias”, desde publicações redundantes até plágios ou publicação de artigos falsos. Muitas não têm sequer endereço fixo ou editor responsável.
A lista negra das predatórias

Jeffrey Beall é um biblioteconomista da Universidade de Colorado (Denver, Estados Unidos), que pesquisa há vários anos nessa área. Sim, esta se tornou uma linha de pesquisa na biblioteconomia, assim como métricas, metadata e outras. Beall montou uma página na internet na qual lista centenas de revistas de várias áreas que foram consideradas como predatórias. Essas publicações foram classificadas como predatórias de acordo com uma lista de critérios que abrange desde a composição do corpo editorial e sua qualificação acadêmica até a transparência (falta de) no processo de avaliação por pares, o comprometimento (falta de) com a preservação digital dos documentos, envio de cobranças de taxas surpresa, republicação, por cópia, de artigos publicados em outras revistas (sim, plágio) e muitas outras pistas. A principal missão dessas revistas é ganhar dinheiro — e não contribuir com a ciência mundial.

A “lista negra” criada por Beall está publicada e constantemente atualizada em https://scholarlyoa.com/publishers/

Os critérios que ele utilizou para criar a lista estão em:
https://scholarlyoa.files.wordpress.com/2015/01/criteria-2015.pdf

Vale a pena também ler este artigo sobre critérios para considerar uma revista como predatória: http://www.la-press.com/2014-Hill-illegitimate-PRINT.pdf
A lista branca das boas open access

Uma lista de revistas open access sérias, de boa qualidade, uma “lista branca”, está disponível no Diretório de Revistas Open Access https://doaj.org/, que contém mais de 9 mil revistas de várias áreas. Estas são listadas de acordo com princípios de transparência e qualidade, que estão disponíveis no site para consulta. A presença na lista produzida pela DOAJ, uma organização social sem fins lucrativos, é um bom sinal de qualidade da publicação. O DOAJ, quando suspeita de falhas de conduta das revistas, remove essas publicações de sua lista. Portanto, ao buscar uma revista open access para publicar um artigo, o DOAJ deveria ser a primeira fonte.

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Os nomes das bases de dados onde se pode procurar artigos científicos na área de saúde frequentemente são siglas, redigidas em letras maiúsculas (“caixa alta”), mas nem sempre. Às vezes, são nomes derivados, que foram registrados com letras minúsculas, ou maiúsculas e minúsculas misturadas. É interessante respeitar a grafia oficial proposta pelas próprias bases de dados e referir-se a elas de forma correta e homogênea nos textos.

Abaixo seguem as principais bases de dados utilizadas em buscas na literatura em saúde (e também para produção de revisões sistemáticas) e a grafia correta de seus nomes conforme disposto em suas páginas oficiais. Os primeiros da lista são grafados totalmente em maisúculas (“caixa alta”), depois vêm os que são grafados em maiúsculas e minúsculas (“caixa alta e baixa”) e por fim, em minúsculas (“caixa baixa”), somente com a primeira letra em maiúsculas.

 

CENTRAL

CINAHL

ICTRP

LILACS

MEDLINE

WEB OF SCIENCE

 

PubMed

SciELO

PsycINFO

PEDro

SPORTDiscus

OTseeker

ClinicalTrials.gov

 

Ovid

Cochrane Library

Embase

Scopus

 

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Temos contribuído, desde 2014, com a Cochrane Collaboration no esforço mundial de tradução dos abstracts das revisões sistemáticas publicadas pela entidade. A Cochrane produz sínteses da literatura científica na área de saúde, com dados estatísticos que permitem tomar melhores decisões.

Apresentamos, no último congresso da Cochrane, a experiência com a revisão dos textos traduzidos por voluntários no Brasil, e nos destacamos como o país que tem um protocolo de revisão dos textos bem organizado, que abrange a correção do uso da língua portuguesa, a verificação da fidelidade de sentido com o original e o polimento do texto, principalmente a parte dos resumos que é dirigida ao público leigo (que a Cochrane chama de “Plain Language Summary”).

Analisamos a quantidade e tipo de erros que os voluntários cometem e que precisam ser corrigidos antes da publicação dos resumos. A Cochrane achou interessante expor essa experiência para toda a comunidade de pesquisadores e autores de revisões sistemáticas no mundo, e publicou-a no blog: https://community.cochrane.org/news/blog/cochrane-translations-importance-review-process

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Em janeiro, publicamos um post em que explicávamos quais são os critérios atuais para se considerar uma pessoa como autora de um trabalho científico da área de saúde a ser publicado. Para ler essa orientação, clique aqui.

Para facilitar e tornar mais rápida a avaliação de um colega como possível co-autor de um artigo seu, o cliente pode também utilizar o fluxograma abaixo. Com este guia rápido, é fácil compreender se os critérios de autoria do ICMJE (International Committee of Medical Journal Editors) se aplicam ou não a cada pessoa que ajudou numa pesquisa. Para aquelas que não participaram o suficiente para serem consideradas autoras, sempre cabe um agradecimento detalhado, que é publicado junto com o artigo.

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Nos últimos anos, por força e pressão principalmente do Comitê Internacional de Editores Científicos (ICMJE), tem havido maior objetividade e ética nas avaliações por pares feitas pelas revistas. Ao instituir normas comuns de redação de artigos científicos (e estamos aqui falando das revistas biomédicas), o ICMJE e a rede Equator fizeram com que as instruções para autores ou normas das revistas se tornassem cada vez mais claras e baseadas em critérios objetivos. Esse é um processo em andamento, positivo, e que ainda está longe de se concluir, mas está acontecendo: as revistas estão cada vez mais claras no que exigem e cobram na hora em que recebem um artigo para publicação. Porém há um detalhe que não pode ser ignorado nesse cenário: o editor.

O editor é o que se chama de “gatekeeper” das revistas, o “guardião do portão”. Quando um artigo é submetido para publicação, o primeiro a avaliar seu escopo e pertinência é o editor. Ele tem a responsabilidade de dar o tom da revista e estabelecer um padrão de qualidade e o escopo de abrangência da publicação, portanto é ele que, ao “bater o olho” num título e num resumo de artigo submetido, toma a primeira decisão: recuso ou envio para revisão?

Essa recusa tem que acontecer quando o artigo foge do escopo da revista: um periódico da área de biologia molecular não vai se interessar num artigo sobre exercício físico, para dar um exemplo exagerado. Da mesma maneira, uma revista de saúde pública não vai publicar um estudo experimental em laboratório. Mas uma revista de ortopedia pode, sim, publicar um artigo que envolva coagulação sanguínea, porque isso interessa aos cirurgiões. Os autores têm como prever e prevenir uma recusa como essa (“fora do escopo”) simplesmente consultando o escopo da revista, que está descrita nas normas. O que o autor não tem com prevenir nem como prever é a parcela de subjetividade na decisão do editor.

Ao olhar pela primeira vez um título de um artigo submetido para publicação o editor pode, com certeza, tomar a decisão de recusá-lo não por ser um manuscrito mal redigido ou por estar fora do escopo da revista, mas simplesmente porque, pessoalmente, aquele “assunto” não interessa ao editor, não lhe desperta curiosidade. Pior: pode ser que o próprio editor ou seus colegas estejam envolvidos em pesquisa semelhante, que deveria, a seu ver, ter prioridade na publicação.

É bem verdade que as revistas hoje recebem muito mais do que publicam. Os editores se apóiam nessa “justificativa” para recusar os artigos: “conseguimos publicar somente 25% do que recebemos”, respondem. Mas a verdade é que eles poderiam (podem) publicar muito mais do que publicam considerando que hoje grande parte das edições está se tornando 100% eletrônica ou quase isso. Não é mais tão grande a pressão do custo da impressão (tanto financeiro como ecológico). Portanto, “espaço” não seria problema. Ou, pelo menos, o espaço físico.

Sim, muitos artigos ainda são recusados por motivos “políticos”, e não há como negar isso na nossa prática diária de submissão de artigos científicos para revistas das mais variadas especialidades. Quando a subjetividade não está presente na avaliação pelos revisores (e contra esta ainda é possível argumentar e vencer, com cartas de resposta bem redigidas), está presente naquela primeira avaliação que os editores fazem, e que motiva o que eles chamam de “fast track“: a recusa rápida, que permite ao autor enviar o trabalho para outra revista rapidamente.

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Esta é geralmente a primeira pergunta que nossos clientes fazem ao nos contratar para editar artigos científicos: quanto tempo leva? Temos consciência da enorme pressão que nossos clientes sofrem, principalmente das universidades, para publicar rapidamente. E não é para menos: o quanto antes os resultados das pesquisas são publicados, especialmente na área de saúde, antes a população se beneficia de alguma forma deles. Porém, enquanto um relatório científico tem o potencial de ficar pronto em algumas horas, um bom artigo, bem fundamentado, com boa argumentação e qualidade de texto, demora algumas semanas para estar num formato aceitável pelas revistas.

Isso acontece porque, depois de redigir a primeira versão do texto, os autores nos enviam para adaptações conforme as normas e diretrizes atuais. Apenas esse processo, de inserir as informações nos lugares corretos e checar as regras de cada revista, toma algumas horas. A revisão do texto pode também esbarrar em problemas, como falta de informações geralmente solicitadas pelos revisores ou pela revista ou referências bibliográficas faltando ou fora do formato. Isso pode exigir entrar em contato com o autor e solicitar dele os detalhes, o que depende da disponibilidade dele e de seus co-autores.

Quando enfim todas as informações estão nos lugares corretos e fazendo sentido, o texto segue para tradução ou para revisão da gramática em inglês, o que toma alguns dias, dependendo da disponibilidade dos tradutores nativos nos quais temos confiança para trabalhar. No retorno dessa segunda revisão, o tradutor pode apontar um ou outro problema ou detalhe delicado: ele precisa, por exemplo, certificar-se de que traduziu corretamente um termo ou que deu sentido correto a uma frase. Já escrevemos aqui sobre a importância do trabalho de supervisão da tradução.

Por fim, é possível que, com essa terceira versão do texto em mãos, ainda se possa condensar ou melhorar a redação de alguns trechos, eliminando repetições desnecessárias ou, ao contrário, adicionando explicações sobre métodos, por exemplo, que podem evitar questionamentos por parte dos referees. Ao reler o texto depois de alguns dias sem olhar para ele, enxergamos detalhes que não estavam tão evidentes antes, e esse “período de maturação” é importante para melhorar a qualidade dos artigos — embora às vezes seja desesperador para os clientes.

Assim, não existe uma resposta única para a pergunta “Quanto tempo demora para editar um artigo científico?”. Cada artigo tem seu tempo de amadurecimento, que varia conforme a qualidade do original, a exigência da revista e a disponibilidade do autor em fornecer as informações que faltam, além do volume de trabalho já em andamento na editora.

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Nosso parceiro Paul Kretchmer, da San Francisco Edit, enviou texto sobre como proceder na hora de enviar uma resposta aos revisores dos periódicos científicos. Ele traz dicas muito interessantes sobre como se posicionar frente aos revisores, e são orientações que fazemos geralmente aos nossos clientes. Com permissão de Paul, traduzimos o seu texto.

“Depois de submeter seu manuscrito para publicação, você vai receber uma carta do editor da revista com comentários de diferentes revisores, cujas identidades são normalmente mantidas confidenciais. A carta vai rejeitar o artigo ou aceitá-lo condicionalmente. Se o editor recusou seu manuscrito, provavelmente vai dar razões para isso. Se é esse o caso, você precisa examinar os comentários dos revisores para ver se o artigo seria aceito caso você faça certas modificações.

Na maioria dos casos, o editor e os revisores estarão tentando ajudá-lo a produzir um artigo de alta qualidade. Não tome os comentários pessoalmente. Em alguns casos, pode ser apenas um mau momento para submeter o artigo: a revista pode ter acabado de receber um artigo semelhante. E você pode, de qualquer maneira, submeter o artigo para outra revista.

Se você decidir enviar o trabalho para outra revista, é geralmente melhor levar os comentários dos revisores em consideração. Mesmo que você ache que os revisores entenderam mal alguma coisa no texto, outros revisores, de outras revistas, também podem entender da mesma maneira.

Se o editor acha que o tema do seu artigo está fora do escopo da revista, não há como insistir. Você não tem outra escolha a não ser submeter o manuscrito para outra revista. Se o seu artigo foi aceito condicionalmente, você agora precisa planejar uma estratégia para revisá-lo e obter a aceitação plena. Isso inclui submeter um manuscrito revisado e também respostas aos comentários dos revisores. Os pontos abaixo vão ajudá-lo a responder melhor aos revisores e submeter o seu manuscrito.

 

1. Leia todos os comentários, do revisor e do editor.

2. Nunca responda imediatamente. Dê a você mesmo alguns dias para refletir sobre os comentários.

3. Se os comentários do editor e dos revisores podem ser usados para melhorar o seu manuscrito, faça isso com certeza.

4. Se o seu manuscrito foi rejeitado e você ainda acha que merece publicação, envie rapidamente para outra revista, porque alguns dados podem perder relevância com o tempo.

5. Se o seu manuscrito foi aceito condicionalmente, é boa ideia responder rapidamente. Assim que possível, comece a escrever uma carta de resposta educada, bem pensada, clara e detalhada.

6. Seja delicado. Evite um tom defensivo ou confrontador na sua resposta. O objetivo é extrair informações úteis dos comentários e adotar qualquer sugestão que seja útil para melhorar o seu artigo. Explique seu ponto de vista calmamente quando você discordar do que disseram.

7. Responda completamente a cada comentário de uma maneira ordenada, com itens separados, e, se necessário, copie na carta qualquer modificação substancial que você fez no manuscrito. Não há limite na extensão do texto da sua resposta, e muitos editores querem mesmo receber uma resposta longa e clara.

8. Modifique seu manuscrito onde isso fizer sentido para você. Você não é obrigado a fazer todas as mudanças sugeridas, mas deve responder a todos os comentários. Se você se recusa a seguir uma das sugestões, o editor vai querer saber uma boa razão, com evidências apoiadas por referências bibliográficas. Só porque você prefere do seu jeito não é uma boa razão.

9. Os revisores nem sempre concordam uns com os outros, e neste caso você tem que fazer uma escolha. Decida qual sugestão parece mais válida e anote na sua carta de resposta que você recebeu conselhos contraditórios, e que você decidiu qual é a melhor opção.

10. Se o revisor está obviamente errado e cometeu um erro, você pode oferecer um argumento e oferecer fatos e referências que o apoiem.

11. Às vezes, eles pedem que você reduza consideravelmente a extensão do seu artigo. Não se sinta muito apegado às suas palavras; encurte seu manuscrito.

12. Assegure-se de que você realmente fez no artigo o que disse que fez na carta, e também verifique se está cumprindo as normas da revista. Os editores se irritam quando descobrem que as respostas na carta não estão de acordo com o que foi feito no manuscrito.

O processo de conseguir uma publicação científica é desafiador, mas recompensador quando finalmente as provas impressas chegam.

 

San Francisco Edit – www.sfedit.net

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O projeto gráfico de um veículo de comunicação, seja uma revista científica, seja um cartaz ou um website, na nossa visão, está atrelado à função editorial designada ao produto. O projeto editorial de um jornal diário local não é o mesmo de uma revista como a Nature, assim como o planejamento editorial de um house organ impresso difere bastante daquele de um website institucional. Assim, necessariamente, o projeto gráfico de um produto tem de considerar o projeto editorial em primeiro lugar.  Já escrevemos aqui sobre a importância do Projeto Editorial.

Diferentemente do passado, quando a composição das páginas era dificultada por poucos recursos técnicos (linotipos, montagem em fotolito), a era dos programas de diagramação (PageMaker, QuarkXpress, InDesign) trouxe flexibilidade e liberdade para o trabalho do diagramador. É realmente possível fazer quase tudo numa página hoje! Porém, num projeto gráfico bem construído, certos limites precisam ser estabelecidos e seguidos, para que o visual da página individual não fique comprometido.

Antigamente, na produção de jornais, não tínhamos como interferir, por exemplo, no espaçamento entre letras ou entre palavras. Os jornalistas tinham que ser hábeis na construção de títulos que se encaixassem perfeitamente na largura das colunas, considerando que letras como m, n ou o ocupam mais espaço na largura do que i, t, l. No jornal Diário Popular, onde trabalhei, havia até competição entre os editores sobre quem conseguia acertar um título de primeira! Hoje, o jornalista escreve o título que quer e deixa para o diagramador a tarefa de “fazer caber”. Porém até que limite o diagramador pode “espremer” ou “esticar” uma linha ou um parágrafo? O tamanho dessa liberdade é diretamente proporcional à qualidade visual do produto final: uma linha esticada demais logo acima de outra, espremida demais, mostra ao leitor falta de cuidado na composição gráfica daquele produto.

Esses limites, determinações e possibilidades precisam ser determinados por um projeto gráfico de periódico. Além de ser positivo para o produto em si, o projeto gráfico também facilita a vida das equipes. Assim como o projeto editorial (sobre o qual já escrevemos), o projeto gráfico torna o briefing para contratação de pessoal muito mais fácil em caso de troca de diagramadores ou de produtores de texto. Dessa maneira, todos atuarão com base em um documento, uma norma preestabelecida, que serve como guia. Se existe muita rotatividade na contratação de profissionais (no caso, por exemplo, de free lancers), todos precisam operar segundo um código comum, para que o editor tenha chance de cuidar do conteúdo e do direcionamento do produto, e não de detalhes como uma linha que escorregou para outra página ou uma palavra hifenizada incorretamente.

Em se tratando de revistas científicas, o projeto gráfico precisa considerar alguns elementos sensíveis, tais como a escolha de fontes adequadas para a leitura de textos que podem ser longos (em oposição aos textos publicados na internet, por exemplo) e a composição de figuras do tipo organograma. Outro elemento importante é a previsão de modelos de tabelas, grandes ou pequenas, e seus títulos e legendas, de maneira que a disposição de dados numéricos, muito comuns em publicações científicas, fique clara para o leitor. A previsão de hierarquia de títulos, subtítulos e intertítulos precisa ser estabelecida num projeto descrito num documento, de maneira que qualquer profissional designado para trabalhar com o produto possa saber como se portar nas diferentes situações.

Exemplos de como o projeto gráfico pode ajudar: o que fazer quando uma tabela não “cabe” na página onde deveria estar? Encolher? Pular a página? Quebrar em duas páginas? Como proceder no caso de títulos muito longos? Como tratar casos de “viuvinhas”, “linhas órfãs” e outras anormalidades assim, que produzem efeito visual de descuido e podem facilmente ser evitadas. São erros gráficos básicos.

É claro que o documento do projeto gráfico (que é composto não somente de imagens ou modelos de páginas, mas principalmente de texto descrevendo as situações) pode e deve ser alterado de vez em quando conforme a prática diária exija (por exemplo, quando novas situações, seções ou elementos surgem e precisam ser desenhados e previstos no projeto). Porém a oficialização do documento de projeto gráfico confere uniformidade para o veículo de comunicação.

 

Órfãs, viúvas ou “forquinhas” ou “enforcadinhas”

Estes termos estão longe de serem técnicos ou científicos: há muita discordância entre diferentes diagramadores ou editores sobre essas definições, mas basicamente,

  • Viúva: palavra solitária ou linha isolada no início de uma página ou coluna, “escapando” de outra página ou coluna. Em qualquer caso, ela foi abandonada!
  • Forca, ou “enforcadinha”: pedaços de palavras que foram hifenizadas e que ficaram no final de um parágrafo, sozinhos
  • Órfã: linha ou palavra isoladas na última linha de uma página.

viuvinhas

 

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Um médico que atendeu os doentes de um serviço é autor de um artigo científico produzido por outros médicos do mesmo departamento?

O chefe da cadeira de uma faculdade deve assinar todos os artigos científicos publicados pela sua equipe?

Estatísticos são autores dos artigos das pesquisas que assessoraram?

Editores de texto ou tradutores devem assinar como autores de artigos?

Essas perguntas estão cada vez mais presentes no dia a dia das equipes de pesquisadores. Antigas tradições vêm sendo questionadas e as revistas que publicam os artigos têm ficado mais atentas às definições de autoria.

Os comitês de editores científicos da área de saúde têm discutido e tomado cada vez mais decisões a respeito de quem pode e quem não pode ser considerado um autor de um artigo. Os critérios do International Committee of Medical Journal Editors (ICMJE) já haviam sido definidos há muitos anos, e incorporados às normas das revistas. Esses critérios, no entanto, têm evoluído. Todas as revistas signatárias dos requerimentos do ICMJE obrigatoriamente adotam os seguintes critérios (nossa tradução) e algumas são mais explícitas quanto a um ou outro:

1) O autor deve ter feito contribuições significativas para a concepção ou desenho do estudo ou para a coleta e análise ou interpretação dos dados;

2) O autor deve ter escrito o artigo ou revisado o texto criticamente quanto ao conteúdo;

3) O autor obrigatoriamente tem que ter lido a versão final a ser enviada para a revista e ter dado sua aprovação;

4) O autor declara-se responsável por todos os aspectos do estudo, assegurando que as questões de acurácia e integridade de todas as partes do trabalho foram investigadas e resolvidas apropriadamente.

O detalhe é que não basta cumprir com uma das premissas acima: é preciso cumprir com todas as quatro. A última foi recentemente adicionada e, na nossa opinião, deveria vir em primeiro lugar, pois é definidora da responsabilidade de um autor. Em artigos da área de saúde, que têm enorme impacto nas políticas públicas e diretrizes de cuidados, isso é particularmente importante: o autor deve se responsabilizar pelo trabalho que assina. Ter conduzido o tratamento de pacientes não necessariamente quer dizer que o médico é autor do relatório científico sobre essa experiência. Revistas como British Medical Journal e Journal of Arthroplasty já declaram em suas normas para autores que o envolvimento com o cuidado do doente deve ser reconhecido na seção de agradecimentos do artigo, e não na lista de autores.

Artigos simples (relato de um caso, por exemplo, ou mesmo relatos de séries de caso, envolvendo somente levantamento de prontuários) dificilmente conseguem justificar a participação de um número muito grande de pessoas. Mesmo os que são multicêntricos, e que, portanto, exigiriam pelo menos uma pessoa por instituição para coletar dados, não podem ter autores demais, pois nem todos os que participam da coleta podem responsabilizar-se pela análise, pelas conclusões, pelo texto.

Algumas revistas estabelecem o número máximo de autores que consideram razoável para cada tipo de artigo (quatro ou seis, por exemplo). Outras não fixam um número, mas solicitam uma justificativa de autoria para todos os autores de todos os artigos. E outras ainda não se preocupam com essas questões, limitando-se a pedir formulários de transferência de direito autoral assinados por todos, sem investigar se cada autor é um autor mesmo.

O fato é que “gift authorship” (autoria que é concedida como um presente a um colega ou chefe), “guest authorship” (autoria que é falsa, mas solicitada a grandes autoridades como forma de “impressionar” os revisores das revistas) e outras práticas assim já estão na mira das revistas e convém ter atenção às normas para evitar constrangimentos. Tanto daquele que solicita autoria do “figurão” quanto daquele que concorda em assinar um artigo sobre o qual não tem nenhum controle nem pode assumir responsabilidade.

Portanto, as diretrizes atuais apontam que:

Não: um médico que atendeu os doentes de um serviço não é autor de um artigo científico produzido por outros médicos do mesmo departamento, embora deva ser reconhecido na seção de agradecimentos (Acknowledgements) da revista;

Não, o chefe da cadeira de uma faculdade não deve assinar todos os artigos científicos publicados pela sua equipe, pois seria humanamente impossível que pudesse se responsabilizar, revisar, analisar dados e escrever todos eles. Mesmo que esse chefe seja um excelente e produtivo pesquisador, a prática rotineira de assinatura automática tende a cair em desuso;

Estatísticos não são autores dos artigos das pesquisas que assessoraram, pois nem sempre atuaram na concepção, na coleta de dados ou na revisão crítica dos textos. Geralmente, esses profissionais atuam como consultores, de forma pontual. Muitas vezes sequer leem o artigo pronto. Podem ter seu trabalho reconhecido também na seção de agradecimentos;

Editores de texto ou tradutores não devem assinar como autores de artigos, pois não participaram da elaboração do estudo, somente atuam na melhoria do texto, e não podem se responsabilizar por seu conteúdo científico.

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