Pílulas de Português!
Pequenas dicas de como usar a nossa língua -- e como não usar!

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Quase todo mundo acha que letra maiúscula serve para dar importância para as coisas. “Comprei um carro, mas não foi qualquer carro, foi O Carro”. O Estudo mostrou que a Imunoglobulina é importante para…” Bobagem.

Talvez vocês se lembrem das aulas do primário, quando a professora dizia que a letra maiúscula no começo das palavras serve para indicar nomes que são “próprios” ou únicos: nomes de pessoas, cidades, estados, países, instituições oficialmente estabelecidas. Cada um desses nomes designa uma só pessoa, coisa, instituição — e não um nome comum a vários (por exemplo, Centro Cochrane do Brasil, não tem outro igual, só existe um!). A diferenciação de nomes próprios de comuns com maiúsculas é assim desde o século XV em várias línguas, inclusive o português. Só que parece que as pessoas se esqueceram, ou andaram ficando vaidosas.

(Em outras línguas, algumas palavras vão em maiúsculas por regras adicionais: no alemão, todos os substantivos; em inglês, todos os nomes de meses e estações do ano: November, por exemplo, ou Summer. Mas, em português, grafe-os em minúscula: segunda-feira, outubro, primavera. E todos os substantivos comuns, mesmo que sejam muito, muito importantes para você: o manuscrito, o professor, a cultura de células, a cloroquina, o acidente vascular.)

Existem muitos outros recursos editoriais e gráficos para dar ênfase ou mostrar a importância das coisas: sublinhar, colocar em negrito… Use-os.

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Viram como o “têm” nessa frase tem acento? É por causa do plural! Pensem (visualizem) assim: os pacientes têm, as intervenções têm, os efeitos têm. Mas o paciente tem, a intervenção tem, o efeito tem. Tenho certeza de que todo mundo sabe disso.

Mas a coisa fica mais manhosa quando o sujeito da frase (quem tem) está looooonge do verbo. Por exemplo: “indivíduos que não fazem exercícios físicos, ingerem grande quantidade de gorduras e doces e passam muito tempo em frente à televisão têm maior risco de sofrerem um infarto”. O “têm” aqui se refere àqueeeeeeles “indivíduos” (no plural), lá longe. Com acento então, pois são vários.

Usar corretamente o acento no “tem” evita muitos erros de interpretação dos textos!

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Sim, aids é uma palavra da língua portuguesa, reconhecida desde a publicação da edição de 2001 do dicionário Houaiss. É também reconhecida pela Academia Brasileira de Letras após a Reforma Ortográfica.

Em português, não é uma sigla, é o nome da doença (inspirado na sigla em inglês).

Portanto, em português, usem letra minúscula para escrever aids (se for no início da frase, só o A em maiúscula).

Em tempo: internet também é uma palavra da língua portuguesa, mas não é um nome próprio (só porque eles inventaram, os norte-americanos acham que a internet é uma instituição com letra maiúscula, “Internet”. Mas em português, grafe em minúscula).

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Todo mundo já ouviu falar: ele serve para distinguir duas palavras que têm significado diferente mas a mesma grafia. (Quase) todo mundo ouviu falar também que “caíram todos os acentos diferenciais com a Nova Norma Ortográfica”. Mas não caíram todos, há exceções:

– pôr (do verbo poder) deve ser diferenciado, com acento, de “por” (preposição) e, consequentemente, pôr do sol (assim, com acento, sem hífen);

– pôde (passado do verbo poder) deve ser diferenciado, com acento, de “pode” (presente do mesmo verbo), para marcar a diferença de pronúncia.

“Os pesquisadores concordaram em pôr seus nomes no artigo mesmo sem terem trabalhado na redação do manuscrito.”

“O revisor pôde verificar que somente um ensaio clínico havia descrito o método de randomização.”

“O mosquito da dengue costuma atacar nas primeiras horas da manhã e após o pôr do sol.”

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Esta é bem pequena e fácil de engolir.

“Etc.” é abreviação da expressão em latim “et cetera”, que se traduz por “e outros” ou “e os restantes” em português.

Três dicas fáceis:
• não use vírgula antes (não é necessária no final de uma enumeração na nossa língua*),
• não coloque “e” antes do etc. (seria uma duplicação de “es”!) e
• não esqueça de colocar o ponto no final (pois é uma abreviação), mesmo no meio da frase.

Por exemplo:
“Fizemos exames de urina, fezes, sangue etc. e nenhum teve resultado positivo.”

Ah, sim: o mesmo vale para “et al.”, que é uma abreviação de “et alii”, que pode ser entendido nos textos acadêmicos como “e colegas”, “e outros autores”… (no fundo, é “e outros” também). Sem vírgula e sem “e” antes e com ponto depois do al.

*Discute-se. Mas essa discussão daria uma coleção de pílulas.

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Decerto que todo mundo tem uma ideia geral de quando usar a vírgula. Mas existe uma situação em que a vírgula é absolutamente proibida. É na separação de sujeito e predicado: não se separa sujeito (aquele que faz a ação ou sobre quem se fala) do predicado (a parte da frase que contém o verbo, a ação) com vírgula.

“O obstetra decidiu realizar uma cesárea”: não se pode colocar uma vírgula entre “obstetra” (o sujeito) e “realizar” (o início do predicado).

“A idade média dos pacientes era de 20 anos”. Sem vírgula.

“O risco relativo foi de 50%”.

A única situação em que se vê a vírgula logo após o sujeito é quando se quer isolar um complemento. Por exemplo:
“O risco relativo, calculado sobre o total de pacientes, foi de 50%”.
“A idade média dos pacientes, sem considerar os adolescentes, era de 20 anos”.

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As pessoas reclamam muito da crase, e erram muito também… por bobagem.

Algumas dicas muito, muito simples devem evitar 90% dos erros. Aqui vai a primeira: NÃO existe crase antes de palavra masculina!! De jeito nenhum! Portanto, não coloque crase em “sexta a domingo”, em “a partir de…”, em “15% a 70% dos casos” ou em “sujeito a guincho” ou “sujeito a ser excluído do estudo”, em “medicamentos entregues a indivíduos com hipertensão”…! “A domicílio”.

A crase é feminista. SEM crase antes de palavra masculina!
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Faça uma faxina nos textos para eliminar “um” e “uma” desnecessários! Depois de terminar um texto, releia ou use o comando de “localizar palavra” do computador para procurar a palavra “um” ou “uma”. Você se surpreenderá com a quantidade de vezes em que usou essas palavras desnecessariamente. Um vício que transferimos da comunicação oral para os textos. A faxina dá excelente resultado: o texto fica mais leve e fácil de ler. Experimente!

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